O Gran Cine Bardot, em Búzios, anunciou nas redes sociais que o projeto Cineclube, realizado desde 2012, corre o risco de ser encerrado por falta de recursos. A iniciativa, que promove exibições gratuitas de filmes para diferentes faixas etárias, está há aproximadamente quatro meses sem patrocínio ou apoio financeiro, nem público nem privado.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o cinema informou que, diante da impossibilidade de arcar sozinho com os custos do projeto, está propondo uma nova forma de financiamento colaborativo, em que o público poderá contribuir de maneira voluntária antes de cada sessão.

O Cineclube é reconhecido como uma das principais ações culturais de formação de plateia na Região dos Lagos. O projeto oferece sessões temáticas semanais, exibindo mostras, ciclos e circuitos de cinema nacional e internacional, com entrada gratuita e aberta à população. As exibições acontecem todas as quintas-feiras, às 18h, com ingressos distribuídos uma hora antes, por ordem de chegada.

Segundo o coordenador do Gran Cine Bardot, Francisco Paz, o último ciclo do projeto foi realizado com patrocínio do Governo Federal, via Ministério da Cultura, mas o fomento se encerrou no início do ano. Desde então, a equipe vem mantendo as sessões com recursos próprios, o que se tornou inviável nos últimos meses. “A gente tinha um apoio do Ministério da Cultura e veio realizando o projeto com esse patrocínio. Esse apoio acabou há cerca de quatro meses e, desde então, estamos mantendo por conta própria. É um projeto que tem muito sucesso, cerca de 100 a 120 pessoas por semana assistem gratuitamente, mas há muitos custos: luz, limpeza, equipe, manutenção dos equipamentos e até o desgaste dos filmes”, explica Francisco.

Com a queda do financiamento, o cinema decidiu abrir uma campanha de contribuição voluntária junto ao público, na tentativa de manter o Cineclube em funcionamento. “Antes de encerrar, resolvemos abrir essa possibilidade de o público contribuir com o que puder, para ver se conseguimos cobrir o mínimo e manter o projeto ativo”, acrescenta.

Além do Cineclube, o Gran Cine Bardot mantém oficinas e parcerias culturais, mas também enfrenta dificuldades estruturais. Francisco alerta que a própria sala de exibição está sem patrocínio, o que coloca em risco o funcionamento do espaço. “O cinema está sem patrocínio no momento. A gente segue com o projetor funcionando, mas sempre com aquele risco, porque se uma peça parar — há uma que custa cerca de R$150 mil —, ficamos descobertos. Vamos seguindo no fôlego, enquanto conseguimos manter o cinema de pé”, afirma.

O Bardot, único cinema de arte e de rua em atividade na Região dos Lagos, busca novos patrocinadores ou apoios públicos, seja via leis de incentivo, editais ou emendas parlamentares, para garantir a continuidade do Cineclube e de outros projetos culturais que marcaram a história recente de Búzios.



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