A operadora de caixa Lilian Rosa viveu um dos momentos mais angustiantes de sua vida. Em poucas horas, a rotina comum de uma mãe trabalhadora foi substituída pelo desespero ao receber a notícia de que sua filha, Anna Julia, de apenas 6 anos, havia sido esquecida dentro de um ônibus escolar da rede municipal de São Pedro da Aldeia por mais de uma hora. O caso aconteceu na terça-feira, 09 de dezembro.

A criança estuda na Escola Municipal Jardim Primavera. Segundo Lilia, ela ficou presa no veículo entre 6h40 e 8h, sem supervisão, até ser encontrada após uma vizinha ouvir pedidos de socorro. No dia do ocorrido, as temperaturas na cidade estavam na casa dos 35 graus. A informação só chegou à mãe por intermédio de terceiros e, segundo Lilian, não partiu de nenhum órgão oficial.

Em um desabafo publicado nas redes sociais, Lilian relatou que tanto o motorista quanto o monitor alegaram não ter visto a criança porque ela estava dormindo. Para a mãe, a justificativa é inadmissível. “Ainda tiveram a cara de pau de dizer que não viram porque minha filha estava dormindo. Mas e a obrigação de verificar o ônibus? Não estão lidando com objetos, estão lidando com vidas”, escreveu.

Segundo ela, a situação só não teve consequências ainda mais graves porque uma vizinha passou pelo local, ouviu os gritos da menina e acionou ajuda. “Minha vizinha passou, viu minha filha desesperada pedindo socorro. E se ela não passa? O que seria da minha filha nesse momento?”, questiona.

Desde o episódio, Lilian afirma que a filha apresenta mudanças claras de comportamento. O medo substituiu a espontaneidade de uma criança que até então utilizava o transporte escolar normalmente. “Ela está traumatizada. Está mais chorona. Brinca, mas sinto que às vezes se retrai. Não quer mais andar de ônibus”, relatou.

Atendimento psicológico questionado e ausência de acompanhamento

Após a repercussão do caso, Lilian foi encaminhada ao CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infantil) do município. No entanto, ela afirma que o atendimento não transmitiu segurança nem acolhimento. “Me encaminharam para um psicólogo, mas não senti firmeza. Marcaram atendimento para minha filha só para janeiro, sem dia previsto. Eu senti que foi um ‘cala boca’”, disse.

Ela também criticou as condições físicas do local. “Ambiente totalmente inadequado para receber crianças: paredes rachadas, descascando, sujas, mesas e cadeiras enferrujadas. Eu sinceramente não volto lá com minha filha.”

Além disso, Lilian afirma que a Secretaria de Educação havia informado que uma orientadora educacional e uma assistente social a acompanhariam na consulta, o que não aconteceu. “Disseram que duas pessoas me acompanhariam hoje, mas nenhuma apareceu.”

Jogo de empurra

A indignação da mãe também se estende à postura da Secretaria de Educação logo após o ocorrido. Segundo ela, ao procurar o órgão, ouviu que o problema não era de responsabilidade da pasta. “Quando aconteceu, eu fui direto à Secretaria de Educação. Lá disseram que não era com eles. Mas minha filha estuda em escola da prefeitura e os funcionários são da prefeitura”, afirmou.

Diante da sequência de falhas, Lilian afirma que pretende buscar a justiça. “Pretendo abrir um processo contra a Secretaria. A gente tem que ter voz sem precisar se expor desse jeito”, declarou.

Logo após o ocorrido, o Portal Fonte Certa entrou em contato com a Prefeitura de São Pedro da Aldeia, mas até o momento não obteve resposta.



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